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Em ordem alfabética: Clauber Tieppo, Hugo Bethlem, Luis Augusto Milano, Ricardo Roldão e Sônia Ponzini como ciclistas... o que eles têm em comum?
A realização pela primeira vez de uma das maiores e mais difíceis provas esportivas do Mundo, a Race Across America (RAAM).
Como muitos já sabem e inclusive já viram nessa mesma revista em edições anteriores, são 3000 milhas sem interrupção, passando no meio de desertos, chuvas intensas, ventos fortes, com subidas e descidas intermináveis!
Estávamos juntos numa mesa de jantar ontem quando ao começarmos a conversar sobre esta experiência vivida pelas duas equipes brasileiras na categoria Quarteto da edição desse ano, pude perceber que invariavelmente a conclusão desta aventura é muito mais do que a finalização de uma prova de ciclismo... um exercício prático e intenso do resgate da nossa essência, da própria identidade para cada um de nós que ali estivemos.
Tive a oportunidade de fazer o famoso Caminho de Santiago de Compostela, tanto de bike como a pé, e em especial o segundo nos trás este sentimento também... desprendimento e separação do que é menos e mais importante, não em um aspecto religioso e sim humano. O verdadeiro valor de tudo!
Meu xará dizia: mais de uma vez me pegava chorando por nada em cima da bicicleta, pela simples emoção de estar vivendo tamanha experiência com tanta intensidade.
É uma rotina diariamente repetida não só de pedaladas (foram no mínimo 28 sessões de 1.00’e 7 de 2.00’para cada um durante 7 a 8 dias sem parar), onde se pratica algumas qualidades e se desenvolvem outras ainda:
A Tolerância a tudo e a todos; do desconforto ao parceiro e/ou staff ao seu lado
A Gratidão, ao reconhecer que você com certeza não conseguiria realizar e vencer este grande desafio sem a ajuda dos outros
A Perseverança, já que de todas as suas ferramentas, do apoio da equipe e depois da sua bike, é a única coisa que sobra para encontrar um significado para todo aquele constante e crescente desconforto;
A Capacidade de adaptação, pois com certeza nem tudo aquilo que foi traçado anteriormente será realizado da forma que se imagina, e que o poder de decisão das coisas não estão na nossa mão mesmo o tempo todo;
A Humildade de aceitar e administrar as diferenças das pessoas; dar a volta por cima para chegar ao mesmo lugar e mais de uma vez...
Dar um passo para trás, recuar, para voltar a seguir em frente (e pedalando no caso!), e com tudo e todos.
Na RAAM não existem crachás, posições sociais, vontades ou vaidades individuais, todos sem exceção passam a trabalhar incansavelmente pelo coletivo, pelo objetivo comum e resultado final, mas vivendo intensamente cada minuto, construindo uma diferente história a cada momento...
É quando SER ou TER ficam muito menores e não significam nada antes do que FAZER,
É Sonhar, mas também Realizar
Pensar mas também Agir
Usar a emoção, mas sempre com a Razão;
Errar, aprender e corrigir;
É ser flexível sem mudar de direção;
Aceitar o outro e você mesmo, e melhor...
Respeitar os limites dos outros e os seus também!
Celso Anderson nestes tempos de Tour de France, disse uma vez em um dos seus comentários: não existe dinheiro que pague a sensação de realização da vitória quando se ganha uma corrida de bike (e olha que ele tem inúmeras aqui no Brasil)!
É unânime este sentimento e contagia não só os ciclistas, mas também os staffs que participaram de um desafio como este, e o curioso é que as vezes recebemos ao retornar, muitas felicitações; somos parabenizados, mas por mais que sejam votos sinceros de amigos verdadeiros, muitas vezes não nos tocam porque muitos não têm ainda a exata noção do que no dia a dia este esforço, esta abdicação quase penitente representa nas nossas vidas, e por isso ficamos tão ligados uns aos outros que estiveram por lá, como se uma cumplicidade silenciosa e invisível tomasse conta de nós, materializadas apenas e simplesmente por um olhar, um abraço ou aperto de mão; de quem sabe, viveu e sentiu o tamanho da nossa RAAMlização!!
Muito obrigado ao Leandro Bittar que esteve todo este período conosco, escalado apenas para escrever esta pequena aventura, acabou jogando em todas outras posições, de fotógrafo até navegador, sempre muito solícito, prestativo e proativo, e de forma competente.
Ao ciclista Joaquim Arjoflor e os staffs Gabriel Cassiolato, Péricles Simões, Cambará, Marco Aurélio Soares, Lincoln Pesionato, Jonny Lin, José Moura e Mario Cunha que voltaram este ano e emprestaram as suas importantíssimas experiências para que tudo pudesse dar certo mais uma vez!
Aos debutantes Henrique Lopes, André Pelegrino, Fabio Nutini, Renata Gomide, Ligia e Antônio Carlos Ponzini, que tão comprometidos e dedicados foram, seria impossível acreditar que nunca estiveram lá antes...
Aqueles que voltaram para terminar comigo o que não fizemos em outras oportunidades juntos: Mario Sanches, José Armando Mari e Acácio Lang
Aos meus parceiros de pedal, Guto, Roldão e Clauber, que compraram a idéia do projeto desde o primeiro instante e foram verdadeiros gladiadores do asfalto!
E por fim ao meu chapa Marcio Milan, que foi para sua quinta participação e que me deu a oportunidade de participar da edição no ano passado e com isso motivar meus amigos e estar presente este ano novamente, fazendo o que mais gosto depois de estar com os meus filhos, que é Pedalar, Pedalar e Pedalar, muito e sempre!!!risos
Ricardo Arap
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